A União Israelita de Belo Horizonte

A história da criação da União Israelita de Belo Horizonte confunde-se com a história da própria capital. De acordo com registros, Arthur Hass, nascido na Alsácia Lorena, encontrava-se entre os primeiros judeus que chegaram a Belo Horizonte. Seu primeiro empreendimento na região foi um deposito de materiais de construção que forneceu matéria-prima para erguer a cidade.

Fugindo de perseguições e guerras na Europa, atraídos pela esperança de oportunidades na nova capital, além do clima ameno, considerado ideal pelos médicos para o tratamento da tuberculose, vários imigrantes judeus chegavam a Belo Horizonte.

Esses imigrantes procuravam sempre o convívio de seus conterrâneos como meio de aplacar a saudade através da troca de lembranças e da busca de solução para os problemas comuns. As redes de amizade foram sendo construídas de maneira informal e em ambientes nem sempre ligados à religião judaica.

A iniciativa da fundação de uma sociedade judaica partiu de necessidade basicamente religiosa. Para a realização de qualquer ritual da liturgia, é imprescindível a presença de dez judeus, homens com mais de treze anos de idade. A vida religiosa judaica em Belo Horizonte antes de 1922 era totalmente improvisada e dependia da boa vontade de um grupo de judeus.

Até então, existiam na cidade alguns locais que funcionavam como sinagogas improvisadas que geralmente se localizavam nos fundos de estabelecimentos comerciais. Os judeus lá se reuniam para oficiar os serviços religiosos de sábado e as grandes festas. Dentre as primeiras sinagogas da cidade, podem ser citadas a de José Persiano, localizada na Avenida do Comércio, nº. 345 – atual Avenida Santos Dumont, a sinagoga do Kendler, na Avenida Santos Dumont; a sinagoga localizada no porão de uma casa na Avenida João Pinheiro e a sinagoga de Benjamin Samuel.  Na década de 30, surge a sinagoga de Marcos Somberg localizada na Rua Espírito Santo nº. 224.

Segundo o historiador Abílio Barreto, a União Israelita de Belo Horizonte (UIBH) foi fundada em 22 de agosto de 1922. Contudo, em seus estatutos datados de 1961, consta que sua fundação deu-se no dia primeiro de agosto de 1922. Nos seus primórdios, a UIBH funcionou em caráter provisório para reuniões na residência de Naftali Perlov; destinada a tratar de todos os assuntos de interesse judaico, de âmbito interno e externo. Seus principais objetivos era fundar e manter uma sinagoga, uma biblioteca em iídiche e hebraico e realizar saraus literários.

Seu primeiro presidente foi Arthur Haas e entre os sócios fundadores encontravam-se Alberto Levy, David Rachman, Jaime Galinkin, José Persiano, Kiva Lerman, Leon Cohen, Miguel Spikav, Naftali Perlov, Rafael Rosecohen e Simão Drubski.

Para concretizar os planos e cumprir as metas propostas, os sócios fundadores recorreram a pedidos de donativos e recursos como rifas e festas. Também procuraram aumentar o número de sócios, fazendo com que os outros imigrantes judeus se envolvessem nos projetos. Foi assim que, em 1927, conseguiram inaugurar a biblioteca com volumes em iídiche e hebraico. Para marcar o acontecimento, realizou-se um sarau literário e um baile de gala.

Logo que conseguiu angariar recursos suficientes, a UIBH instalou-se em um casarão alugado de dois pavimentos, que funcionou como sede social de 1928 até o principio da década de 60 na Avenida Afonso Pena nº. 1568, ao lado do edifício do conservatório Mineiro de Musica.

Ainda em 1928, seus sócios, com apoio financeiro da Jewish Colonization Association, fundaram a Escola Israelita Brasileira que iniciou suas atividades em fevereiro de 1929 e ficou instalada no mesmo prédio da UIBH. Depois transferiu-se para Rua Guajajaras nº. 96.

Além do culto e das festividades religiosas, realizavam-se na UIBH casamentos, bailes, palestras, apresentações teatrais e coral de musicas típicas. Quando não havia um palco e os recursos econômicos eram escassos, o ensaio e as apresentações teatrais eram feitas em cima de mesas. A UIBH possuía departamento juvenil e teatral, biblioteca e organizações como Ikuf (Associação Universal Cultural Judaica), Laispar Case: “caixa econômica de empréstimos”, uma cooperativa de pequenos créditos que tinha como objetivo melhorar e estimular a capacidade produtiva da comunidade, Associação Feminina Israelita Brasileira Vita Kempner, Organização das Damas Israelitas Froem Faraem, B’nai B’rith, Sinagoga Beth-Jacob, Círculo de Leitura e Drama, e o Clubinho Idel L. Perez

Outra importante iniciativa dos sócios da UIBH foi a criação da Sociedade Cemitério Israelita de Belo Horizonte, fundada no dia dois de fevereiro de 1936. Antes da criação do cemitério, os judeus eram sepultados em outros cemitérios da cidade e não eram acompanhados pelo ritual judaico de preparação dos mortos. Quando a comunidade judaica da cidade conseguiu legalizar o terreno como cemitério, os corpos foram transladados com a aprovação dos familiares.

Em 1953, os sócios da UIBH decidiram iniciar uma campanha em prol da construção de uma sede própria para a entidade. A pedra fundamental do novo edifício foi lançada no dia 21 de agosto de 1955. A festa da cumeeira ocorreu em dezembro de 1959 com um churrasco comemorativo.

O novo prédio da UIBH, na Rua Pernambuco nº. 326 foi inaugurado em dezembro de 1960, com festa própria para a ocasião, com muitos discursos e presença de autoridades locais.

A Escola Israelita Brasileira foi transferida devido a uma ação de despejo, da Avenida João Pinheiro para o novo edifício da UIBH. Para abrigar a escola, foram necessárias obras para sua adaptação. Inicialmente voltada para os filhos de imigrantes judeus e administrada por membros da comunidade, rebatizada como Escola Albert Einstein, foi transferida em 1997 para uma cooperativa de professores, mantendo-se na sede da União Israelita até julho de 2007 quando conseguiu se estruturar e mudar para outro endereço.

Em 1998 o Instituto Histórico Israelita Mineiro (IHIM) transferiu-se para o prédio da UIBH. Trata-se de uma rica biblioteca com grande acervo de títulos de autores judeus e/ou temática judaica, aberta à visitação pública.

O IHIM oferece durante todo o ano diversas programações de cursos, exposições, feiras de livros, mostra de cinema, palestras, etc.

Para angariar recursos financeiros que sustentassem a Entidade, foi aberta em 1999 a escola de atividades físicas, aberta a toda comunidade belorizontina. Durante estes 10 anos já foram oferecidas atividades como: futebol, balé, badmington, dança de salão, tai-chi-chuan, entre outros, que foram encerradas após certo tempo. Hoje estão ativos os cursos de Natação, Hidroginástica, Krav Magá, Yoga, além de Avaliação Fisioterápica e Drenagem Linfática.

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